O Festival Floresta em Serenata – Encantos e Reencontros deste ano foi uma beleza. A terceira edição do evento ocorreu em 2 e 3 de maio e aumentou um dia em relação ao ano passado. Teve show de Lila, a Rainha da Seresta, e Altemar Dutra Júnior e, como atração principal, José Augusto, que, como numa de suas músicas mais famosas, cantou no sábado. O seu show custou R$ 300 mil reais e foi custeado pela Empresa Pernambucana de Turismo, algo comum, como a gente vem mostrando essa semana. O que não é de se estranhar é o fato de a cidade ser governada pela mãe do secretário de Turismo de Pernambuco.

E não é só isso, diria um daqueles apresentadores de promoções de TV dos anos 90: também em maio, o mês em que as torneiras se abriram de vez para os aliados da governadora Raquel Lyra, Floresta, a terra do secretário Kaio Maniçoba e da prefeita Rorró Maniçoba, também foi agraciada com outras duas atrações bancadas pela empresa de turismo: no dia 18 de maio, os cantores Walkyria Santos e Juarez receberam R$ 150 mil e R$ 80 mil, respectivamente, da Empetur, totalizando R$230 mil. Ou seja, só em maio de 2025, a cidade dos Maniçoba recebeu ao todo R$ 530 mil de uma entidade vinculada diretamente à secretaria de Turismo.

O secretário chegou a falar em um vídeo publicado nas redes sociais da sua mãe que a serenata lotou os hotéis e movimentou o turismo local, sendo um grande sucesso em toda a região. “Estamos trazendo turistas de todo o Estado. Quero convidar a todos para vir conhecer Floresta”, disse, em entrevista ao perfil da Rede Você TV.

Na prática, a Empetur é o braço operacional da Secretaria de Turismo. É quem executa as políticas públicas formuladas pela secretaria, quem bota a mão na massa, quem gasta. Tanto é que o orçamento da empresa é até maior do que o da sua “matriz’, digamos assim. Por exemplo: para este ano, a previsão total para as ações de turismo, somando secretaria e Empetur, é de R$ 138 milhões. A Empetur abocanha R$111 milhões e a pasta fica com “apenas” R$ 27 milhões.
Ainda que a empresa seja uma sociedade anônima, ela é estatal, tem 100% do controle acionário do governo de Pernambuco e a indicação do seu presidente é de atribuição do secretário. Mas na prática, é da governadora Raquel Lyra. Neste caso, Eduardo Loyo, seu fiel escudeiro, que já sobreviveu a duas trocas de secretário. Primeiro, Daniel Coelho, que saiu em abril do ano passado para ser candidato a prefeito do Recife. Depois, Paulo Nery, que ficou só nove meses, entre junho de 2024 e março de 2025, justamente para dar lugar a…
…Kaio Maniçoba, deputado estadual pelo PP, um dos partidos da base de sustentação de Raquel e que, quase que uma unanimidade entre seus apoiadores, deverá ocupar uma vaga para o Senado na majoritária do ano que vem com o poderoso Dudu da Fonte. Ele se licenciou do mandato e entrou no governo em 25 de março desse ano, sendo saudado como um gesto da governadora para a política. Até então, dizia-se, ela não fazia concessões (não é bem assim: em janeiro ela já tinha nomeado mais de 50 políticos, entre ex-prefeitos e candidatos derrotados, como assessores).

DENTRO DA LEI– De acordo com a assessoria da Secretaria de Turismo, não houve irregularidade em a Empetur apoiar os eventos em Floresta, mesmo a cidade sendo governada pela mãe do secretário, que foi o que nós perguntamos. Via nota, a resposta da Setur foi a seguinte:
A Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco informa que os eventos apoiados pela pasta têm como base solicitação formal, análise técnica, obedecendo aos critérios legais, administrativos e de impessoalidade.
Essa, na verdade, foi a segunda nota enviada pela assessoria. A primeira nos foi mandada via WhatsApp às 15h53 do dia 9 de maio. Em ligação telefônica, houve pedido para substituição, atendido pelo blog, por conta de uma suposta incorreção nas informações. Em nome do compromisso ético do relacionamento com as fontes, não iremos publicar a nota original.
A propósito, também solicitamos as solicitações formais feitas à pasta, mas não recebemos resposta. Caso nos sejam enviadas, publicaremos.
Por falar em critério técnico, na quarta e penúltima reportagem da série Festa no Interior, a gente mostrar a influência de outros políticos na política “circo e circo” com vistas a 2026 e também explicar como se dá o processo de escolha das cidades para onde vão os artistas.
Fotos da posse: Hesíodo Gomes/Secom
Demais imagens: Reprodução/Redes sociais















