A primeira campanha que eu trabalhei foi em 2004, a de Joaquim Francisco a prefeito do Recife.
Candidato pelo PTB, JF enfrentava uma parada difícil contra um João Paulo candidato à reeleição e com uma boa relação com o governador Jarbas, cujo candidato oficial era Cadoca, que também tinha dificuldades justamente por essa proximidade entre o petista e o ocupante do Palácio das Princesas.
Eu levantava dados e informações para servir de base para os guias eleitorais. Mas um dia me botaram pra produzir um programa que mostrava o que Joaquim tinha feito quando foi prefeito – entre 1983 e 1985 – e o que queiria fazer.
Como ele propunha muros de arrimo, levamos JF na Guabiraba onde ele fez vários. Um sol quente de rachar, ele super bem recebido pelo povão, sorriso aberto. Tudo certo, nada errado. Next!
Urbanização de favelas. Levamos o hômi para a Vila Santa Luzia, na Torre, que tinha sido um case na gestão dele. Tá lá Joaquim felizão da vida, com a galera abraçando e prometendo voto.
Aí veio o teste de fogo: ele queria fazer habitacionais ao longo da linha do metrô. Num tempo que não havia Google Earth, eu não achei um lugar no Recife que prestasse pra gravar com ele e resolvi fazer lá perto da estação Camaragibe.
Chegamos com toda a equipe. Ele desce do carro preto penteando o cabelo e ajeitando a calça santropeito e sem entender nada. Aí logo eu ouço a voz de trovão perguntando:
– Quem foi que arrumou esse lugar pra gravar?
Alguém apontou pra mim e eu senti o frio na espinha e meu emprego ir embora junto.
Joaquim me chamou e educadamente:
– Ô, Wilfred, por acaso eu quero ser prefeito de Camaragibe?
– Não, seu Joaquim.
– E por que a gente veio gravar aqui?
Eu, que tinha lido e sabia o plano de governo dele de cor e salteado, respondi:
– Porque o senhor propõe no seu plano de governo parcerias com os municípios da Região Metropolitana para construir habitacionais ao longo da linha do metrô para diminuir o custo e melhorar o acesso ao transporte público.
Joaquim se vira para o marqueteiro, o saudoso Arthur Cidrim, e solta:
– Esses Gadêlhas sempre têm uma resposta boa na ponta da língua. Vamos gravar!















