Por Pedro Galvão
Essa é uma impressão que vários militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) têm com os recentes desempenhos da legenda nas eleições legislativas nacionais e municipais. Porém, ao analisar os dados dessas eleições, entre 2002 e 2024, mesmo o Estado de Pernambuco sendo um forte reduto lulista, o PT nunca teve resultados que possam ser considerados “ótimos”, se comparado, por exemplo, com o Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Mesmo com a alta popularidade do presidente Luís Inácio Lula da Silva nos anos 2000, em Pernambuco, a legenda de centro-esquerda nunca elegeu mais do que cinco deputados federais ou estaduais durante esse período. Os melhores resultados eleitorais do PT em nosso Estado ocorreram justamente entre 2002 e 2010, quando manteve cinco deputados estaduais eleitos e oscilou de 3 a 5 deputados federais.
A partir das eleições de 2014, muito influenciado pela campanha midiática antipetista, pelo impeachment da presidenta Dilma e pelas consequências da Operação Lava Jato, o PT ficou sem nenhum representante pernambucano no congresso nacional naquele período, voltando a eleger 2 deputados federais em 2018 e apenas 1 em 2022. O número de deputados estaduais eleitos se manteve em 3, em 2014, 2018 e 2022.

Quando se trata de Recife a situação não é diferente. O PT vem reduzindo o número de vereadores eleitos desde 2004, quando elegeu uma bancada de 8 petistas no ápice da popularidade do então prefeito João Paulo (2000-2008). Em 2008 e 2012, o PT elegeu 5 candidatos à vereança e nas últimas três eleições municipais alterna entre 2 e 3 representantes eleitos à Câmara recifense.
Apesar dos números não mentirem, ou seja, o PT vem elegendo menos representantes em Pernambuco, o seu maior líder regional, o senador Humberto Costa, vem sendo alvo de críticas por esse desempenho. Esse incômodo da militância petista dura mais de uma década e se iniciou com sucessivos conflitos internos nas disputas pela Prefeitura do Recife.

Em 2012, o primeiro rebuliço: a reeleição do então prefeito João da Costa (PT) foi rejeitada devido à sua péssima avaliação pública. Quem assumiu a chapa foi Humberto Costa. Em 2016, outro arranca rabo: a burocracia do partido reprovou a candidatura de Marília Arraes para disputa da prefeitura contra o impopular Geraldo Júlio (PSB). Marília foi a terceira vereadora mais votada da capital pernambucana. E em 2020, mais uma vez sob polêmicas internas, a candidatura de Marília Arraes é aprovada depois de muito esforço e publicamente sob o desgosto de Humberto Costa, que desde 2016 liderou o PT a apoiar os candidatos do PSB para o Executivo.
A militância petista nunca aprovou essa subserviência do PT ao PSB, tanto que o partido de Eduardo Campos e Miguel Arraes teve um crescimento nacional considerável durante o período em que o PT lutava para sobreviver em meio à onda conservadora da última década. Pode-se concluir que o bolsonarismo foi um dos fatores que fez os ânimos entre o PT e PSB se acalmarem, pois ambas as legendas são críticas à extrema-direita e Lula nunca gostou dessa arenga entre primos.
A impressão é de que Humberto Costa age contra o gosto da militância para assegurar resultados pragmáticos. Se isso é para manter os interesses dele acima dos interesses do PT em Pernambuco, é subjetivo afirmar. Da mesma forma que a elogiada gestão municipal de João Paulo e a alta popularidade do presidente Lula podem ter provocado uma falsa ilusão de que o PT era grande o suficiente nos anos 2000 para alçar voos maiores em Pernambuco. Talvez até tivesse condições, mas esbarrou em conflitos internos que afastaram simpatizantes (os mais radicais migraram para o PSOL e os mais moderados ao PSB) que acabaram por não depositar seus votos legislativos em candidatos petistas.

Pedro Galvão é graduado em Administração pela Universidade Federal Rural de Pernambuco e especialista em Planejamento e Gestão Pública pela Universidade Federal de Pernambuco.















