Indicação recoloca Pernambuco no Supremo após mais de 60 anos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou, nesta quinta-feira (20), o advogado-geral da União Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a saída de Luís Roberto Barroso. Recifense, ele tem 45 anos e poderá permanecer na Corte até os 75, idade da aposentadoria compulsória. A indicação segue agora para sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Messias integra a carreira de procurador da Fazenda Nacional desde 2007, formou-se na Faculdade de Direito do Recife (UFPE) e concluiu mestrado e doutorado na Universidade de Brasília. Ele chefiou a AGU durante o atual governo e foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência no governo Dilma Rousseff. Caso seja aprovado, será o primeiro pernambucano no STF desde 1963, quando Barros Barreto se aposentou.
“Recebo com honra a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Messias em nota pública. No texto, agradeceu as manifestações recebidas e disse que, se aprovado pelo Senado, atuará com “dedicação, integridade e zelo institucional”, reafirmando compromisso com a Constituição e com o Estado Democrático de Direito.
A indicação movimentou reações entre políticos pernambucanos. A governadora Raquel Lyra afirmou que “Pernambuco celebra” a escolha de Jorge Messias e disse conhecer o conterrâneo “há anos”. Raquel escreveu que Messias tem “competência, experiência e compromisso com o Brasil” e desejou “que Deus abençoe a nova missão” do indicado ao Supremo Tribunal Federal.
O prefeito do Recife, João Campos, salientou que a escolha é um “acerto” de Lula e destacou a importância de Pernambuco voltar à Suprema Corte. Já o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, disse em postagem que ficou “duplamente feliz” com a indicação por ser colega de turma de Messias na UFPE e por vê-lo alcançar o STF. Wolney afirmou que o presidente “tem grande carinho” pelo indicado e que ministros costumam consultá-lo sobre temas relevantes, destacando que sua ausência será sentida no governo.
Impacto – A indicação recoloca Pernambuco em um espaço institucional do qual o Estado esteve ausente por mais de seis décadas. A presença de um pernambucano no STF tende a ampliar a atenção a temas federativos ligados ao Nordeste, como disputas tributárias, questões ambientais e políticas públicas regionais. A formação de Messias pela Faculdade de Direito do Recife reposiciona novamente a escola jurídica pernambucana no debate nacional.
O movimento também repercute no cenário político local, marcado por disputas entre grupos estaduais. A chegada de Messias ao Supremo fortalece redes de profissionais formados no Estado e pode estimular a presença de pernambucanos em carreiras jurídicas e acadêmicas de alto nível ligadas à administração pública federal. Com a indicação, Pernambuco volta ao mapa da magistratura superior após mais de 60 anos.















