Prefeito Sivaldo Albino ignora órgãos de controle e usa palco do FIG como palanque. Mas o desrespeito aos alertas do TCE pode gerar punições e até multa
O prefeito Sivaldo Albino (PSB) está se transformando na principal atração do Festival de Inverno de Garanhuns. Seria bom se fosse do lado positivo, mas não é. Nos últimos dias ele vem protagonizando uma série de episódios com o pior do que tem acontecido nas festas patrocinadas com dinheiro público, em que os gestores, não satisfeitos em ter seus nomes citados pelos locutores em altíssimo e boníssimo som, sobem ao palco, cantam, dançam e também apresentam seus potenciais candidatos às eleições. Mas a aventura de Albino pode dar ruim pra ele: o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) abriu auditoria especial, a pedido do Ministério Público de Contas (MPCO-PE), para investigar se o gestor está ferindo um princípio básico da administração pública: o da impessoalidade.
Albino virou uma espécie de apresentador do palco principal do FIG, na Praça Mestre Dominguinhos. Todo dia, tá lá ele em cima do palco, anunciando quem vai se apresentar, dizendo que o artista já está garantido na edição do ano que vem, como foi no caso de Os Neiffs, no sábado 12 de julho. Isso sem saber se tem dinheiro, sem saber o planejamento, sem o menor comprometimento, sem responsabilidade com a coisa pública. Já anunciou um monte de atração, quase uma playlist de churrasco. Também já levou para os holofotes os deputados federais Carlos Veras (PT) e Felipe Carreras (PSB) e o seu filho, o deputado estadual Caio Albino, também do PSB.

Os órgãos de controle estão de olho nas constantes “invasões” do prefeito ao palco do FIG. O MPCO provocou o TCE, que abriu auditoria para investigar Sivaldo Albino. Em 10 de julho, por meio do conselheiro Carlos Neves, o tribunal já havia emitido um alerta sobre a “potencial violação ao princípio da impessoalidade administrativa quanto à não adoção de providências preventivas para evitar o uso indevido de estruturas ou recursos públicos em benefício de agente político”. Este alerta foi dado no contexto de um processo de Medida Cautelar (n.º TC 25101114-8), formalizado a partir de uma representação.
Pra ficar mais claro: a representação pedia que o prefeito não subisse ao palco, mas o conselheiro entendeu que não poderia punir Sivaldo Albino por algo que ainda não havia acontecido. Em outras palavras, o TCE disse no alerta: “Não suba, não fale ao microfone”. O prefeito ignorou o tribunal, subiu e falou o que quis.
Autor da petição que gerou a auditoria especial, o procurador Cristiano Pimentel solicitou, entre outras medidas, que “seja aplicada multa ao prefeito, após ser observado o contraditório e ampla defesa, por violação do princípio da impessoalidade”.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também está acompanhando o caso do prefeito falastrão. A 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns instaurou a notícia de fato número 2081.000.016/2025 para apurar o ocorrido, segundo a assessoria de comunicação do órgão.
Zeca Baleiro– A bronca com Sivaldo viralizou por conta da esculhambação que deu no cantor maranhense Zeca Baleiro, que, no sábado 12 reclamou educadamente e com razão da distância do palco para a plateia, em virtude do cercadinho VIP que já virou moda nos grandes eventos “públicos” realizados no Nordeste. Disse Zeca: “Essa passarela é bonita, Gisele Bündchen ia arrasar aqui. Mas para a música, seria melhor que a plateia estivesse mais perto. Está muito longe, eu não olho no olho de ninguém, porra. Parece que vocês estão lá em Águas Belas. É uma dica carinhosa, sem bronca”’.
E a resposta de Sivaldo Albino veio no palco mesmo, no show de Hungria, num tom oposto ao de Zeca Baleiro, cheio de grosserias… “Teve artista que tocou aqui e estava reclamando da passarela. Artista que não consegue andar para ficar perto do público, não dá pra estar tocando”, soltou Sivaldo Albino.
Aí, Zeca educadamente voltou ao tema e postou no seu Instagram, na segunda 14, uma resposta ainda mais polida, como você vê nas imagens abaixo.




“Artistas”– Lugar de prefeito não é no palco. E Sivaldo Albino não está sozinho nesse papel de gestor que quer aparecer mais do que os artistas. Em praticamente todas as festas juninas desse ano, tinham prefeito, deputado e até mesmo governadora no palco. Há casos que saem um pouco mais do script, como a da primeira-dama de Gravatá, Viviane Facundes, pré-candidata à Assembleia Legislativa, que cantou ao lado de Wesley Safadão, com o marido, o ex-padre Joselito Gomes – e levou carão do TCE por causa disso. Ou o do deputado federal Mendonça Filho (UB), que, arrastado pelo prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela, também do UB, dançou com Priscilla Senna na tradicional Festa das Marocas.
E tem coisa ainda pior, como em Aracaju, onde o deputado federal Thiago de Joaldo (PP-SE) se comprometeu a garantir emendas parlamentares, ao lado da prefeita Emília Correia (PL-SE), para trazer o cantor Wesley Safadão pro São João da capital sergipana do ano que vem. Detalhe: o cachê do astro cearense chega a R$1,1 milhão.
Aliás, esse é um assunto que rende muito pano pra manga. Aguardem que O Fervovai chegar em breve nesse palco.
RESPOSTAS – Por meio de nota , o prefeito informou “que recebeu notificação do TCE sobre sua participação no FIG 2025, e que estará apresentando as informações solicitadas, com tranquilidade e responsabilidade, certo de que sua participação, de forma institucional, busca somente a divulgação e impulsionamento do evento, inclusive com o anúncio de artistas contratados para a edição 2026, para que todos os envolvidos no festival possam repercutir e se prepararem com uma antecedência nunca vista ao longo das edições. Tal iniciativa tem sido positiva, como pode ser comprovado pelo sucesso do evento”.















