No domingo 21, a governadora Raquel Lyra fez uma postagem que pretendia emocionar: um carrossel de quatro fotos dela com a vice Priscila Krause como um making off da demolição da Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá. Não se questiona a qualidade das imagens. São belíssimas. Parabéns a Janaína Pepeu e Américo Nunes pelo registro. Pena que o abraço das duas mulheres em posição mais alta do Estado é fake. Porque a vice-governadora virou – e não é de hoje – um problema para Raquel.
No dia seguinte, explodiram denúncias sobre o favorecimento explícito do governo do Estado ao hospital em Garanhuns que tem o marido de Priscila como sócio. Esse ano a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro já recebeu quase 26 milhões de reais – 3 milhões quando a vice estava exercendo a titularidade por conta de uma viagem da governadora.
“Tudo bem, a unidade de saúde presta um serviço, tem que ser remunerada por isso. Estão exagerando”, pensei eu. Aí eu lembrei de um conselho de um colega de Jornal do Commercio: “Desconfie de tudo”. (Não vou citá-lo porque ele tá no governo atualmente. Vai que a gov demite) Mas as ações de Priscila, a vice parceira e amigona da governadora, saíram, pelo que está aparecendo, das quatro linhas, como tem dito recentemente Raquel Lyra.
Foram tão exdrúxulas que motivaram, segundo os bastidores do Palácio do Campo das Princesas, a exoneração – a pedido deles – de dois titulares de pastas do primeiro escalão do governo: o secretário da Fazenda, Wilton de Paula, e a controladora-geral Erica Lacet. Não são cargos quaisquer: são funções que lidam com dinheiro e transparência. Sintomático?
Não rola
A filha de João Lyra Neto não pode demitir a filha de Gustavo Krause. E nem é somente por esse episódio. A gente não pode esquecer que quem trouxe Manoel Medeiros Neto, o ex-assessor especial travestido de repórter investigativo, para o governo foi Priscila. E o caso continua muito mal-explicado.
Não é
A governadora não é amiga de vice, como aparentam as postagens. Nem foi a primeira opção para compor a chapa. Só veio porque, naquela época, ninguém acreditava na candidatura e o PSDB teve que se virar com o Cidadania de Priscila.
Nas sombras
Sob Raquel, Priscila tem que agir nas sombras porque, como dizem os que são próximos, a ex-prefeita de Caruaru não confia em todo mundo. Só que, pelo que a gente tá vendo, as sombras são mais espessas do que se pensa.
Peso
De parceira inseparável, que por vezes até levanta a governadora nos ombros (tem foto por aí, procurem), Priscila Krause, a ex-vereadora e ex-deputada combativa na fiscalização das verbas públicas, se transformou num problema para Raquel.















