Morre Jards Macalé, aos 81 anos

Cantor e compositor carioca marcou a música brasileira com obra iconoclasta que atravessou cinco décadas

Jards Macalé, cantor, compositor, arranjador e uma das figuras mais influentes da música brasileira contemporânea, morreu nesta segunda-feira (17), aos 81 anos, no Rio de Janeiro, sua cidade natal. Com uma carreira iniciada nos anos 1960, Macalé construiu um repertório que se tornou referência para diversas gerações de músicos, pesquisadores e produtores culturais.

Autor de canções como Vapor Barato, Movimento dos Barcos e Hotel das Estrelas, o artista colaborou com nomes centrais da MPB, entre eles Gal Costa, Waly Salomão, Torquato Neto, Caetano Veloso, Capinan e Moreira da Silva. Sua trajetória inclui festivais de música, trilhas de cinema, participação em discos históricos e pesquisas voltadas à experimentação musical.

Conhecido pela postura crítica frente ao mercado e às instituições culturais, Macalé consolidou um trabalho que dialogou com samba, rock, música de vanguarda e trilhas sonoras. Seu primeiro álbum solo, lançado em 1972, é hoje considerado um marco da produção musical brasileira. Ao longo da carreira, lançou mais de 20 discos, compôs para cinema e teatro e manteve intensa atuação em palcos e projetos colaborativos até os últimos anos.

Revival – Nos anos 2000 e 2010, Macalé teve sua obra reavaliada por uma nova geração de artistas, retornando a festivais e gravações com trabalhos inéditos, relançamentos e registros ao vivo. Sua música voltou a circular em filmes, séries e reinterpretações de artistas da cena contemporânea, o que ampliou ainda mais seu alcance e relevância cultural.

A morte de Jards Macalé encerra uma trajetória de cinco décadas dedicadas à pesquisa, à composição e à renovação permanente da canção brasileira. Sua obra continua presente nos palcos, nos arquivos e nas regravações que mantêm viva a importância do seu trabalho para a cultura do país.

Wilfred Gadêlha

Nascido em Goiana-PE no período pleistoceno, Wilfred Gadêlha é formado em jornalismo pela UFPE. Atuou em vários veículos como repórter e editor, é geminiano, metaleiro e metido a cantor. Já escreveu livros, apresentou programa de rádio e dirige e roteiriza documentários que ninguém viu. Também foi secretário de Comunicação na terra-natal e em São Lourenço da Mata e fez várias campanhas - algumas perdeu e outras ganhou.

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