Trump recua de novo e corta tarifas para produtos do Brasil

Casa Branca derruba parte do tarifaço e beneficia café, carne e frutas; exportadores comemoram avanço após meses de impasse

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás mais uma vez em sua política de guerra tarifária contra o Brasil e assinou, nesta sexta-feira (14/11), uma nova ordem executiva que reduz as tarifas aplicadas a produtos agrícolas – entre eles itens de grande peso na pauta brasileira, como café, carne bovina, açaí e outras frutas tropicais. A medida, segundo a Casa Branca, tem efeito retroativo e passou a valer desde 00h01 de quinta-feira (13/11).

Encontro em outubro foi crucial para redução

A decisão reverte parte do tarifaço que vinha penalizando o Brasil desde agosto, quando os EUA passaram a cobrar sobretaxa de 50% sobre diversas mercadorias nacionais. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes afirmou que a redução “devolve previsibilidade ao setor e cria condições mais adequadas para o bom funcionamento do comércio”, destacando que os Estados Unidos são o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira.

No documento, Trump afirma ter recebido “informações e recomendações adicionais de diversas autoridades” e cita fatores como demanda interna, capacidade produtiva dos EUA e andamento das negociações internacionais. Ele diz ter determinado que seria “necessário e apropriado modificar ainda mais o escopo dos produtos sujeitos à tarifa recíproca imposta pelo Decreto Executivo 14257”.

A medida retroativa reforça o movimento de acomodação após meses de escalada tarifária. Desde abril, quando Trump determinou uma sobretaxa inicial de 10%, o Brasil enfrentou sucessivas camadas de restrições. Em agosto, a cobrança subiu para 50%, a maior tarifa entre todos os países atingidos.

Histórico – Não é a primeira vez que Trump recua. Em 30 de julho, um dia antes de novas alíquotas entrarem em vigor, o republicano suspendeu a aplicação da tarifa para cerca de 700 produtos brasileiros, numa tentativa de aliviar pressões internas e recalibrar o impacto econômico das medidas. As discussões entre Brasil e EUA intensificaram-se nas últimas semanas e ganharam impulso após o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, na Malásia.

Apesar de a Casa Branca falar genericamente em “frutas tropicais frescas ou congeladas” entre os itens beneficiados, ainda não há lista pública detalhada dos códigos tarifários incluídos na redução. O que aparece de forma explícita é a menção a café, carne bovina, banana e açaí. Produtos como manga e uva, amplamente exportados pelo Brasil, ainda não foram confirmados nesse primeiro pacote de alívio tarifário.

Se vierem a ser contempladas, a mudança terá impacto direto no Vale do São Francisco, que responde por cerca de 90% da manga e 98% da uva exportadas pelo Brasil, segundo dados da Embrapa e de entidades do setor. Boa parte dessa produção sai de Petrolina e municípios vizinhos e aproximadamente 30% das vendas externas de manga e uva têm os EUA como destino – o que transforma qualquer sinal vindo de Washington em reflexo imediato sobre emprego, renda e logística no Sertão.

Reação – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a decisão fortalece a relação comercial entre os dois países e “abre espaço para uma retomada mais equilibrada e estável das vendas”. Os setores de café e frutas tropicais, igualmente afetados pela sobretaxa desde agosto, também veem a medida como essencial para reduzir pressões nos custos e recuperar contratos.

Embora a Casa Branca não tenha tornado público de quanto foi a redução, a reversão é celebrada por empresas brasileiras, que enfrentavam queda de competitividade desde a imposição das sobretaxas. A avaliação predominante é que o novo recuo abre caminho para estabilidade no curto prazo e renegociações mais amplas no próximo ciclo.

Wilfred Gadêlha

Nascido em Goiana-PE no período pleistoceno, Wilfred Gadêlha é formado em jornalismo pela UFPE. Atuou em vários veículos como repórter e editor, é geminiano, metaleiro e metido a cantor. Já escreveu livros, apresentou programa de rádio e dirige e roteiriza documentários que ninguém viu. Também foi secretário de Comunicação na terra-natal e em São Lourenço da Mata e fez várias campanhas - algumas perdeu e outras ganhou.

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