Bienal do Livro celebra 30 anos com autores, editoras e programação inclusiva

Dez dias de literatura, arte e inclusão no maior evento literário do Nordeste

A 15ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco abre as portas nesta sexta-feira (3), no Centro de Convenções, em Olinda, e segue até o dia 12. Com o tema Ler É Sentir Cada Palavra, o evento celebra três décadas de história e se consolida como o maior do Nordeste e o terceiro maior do Brasil. Durante dez dias, autores consagrados, editoras, coletivos independentes e novas vozes dividem espaço em uma programação intensa, que vai das 9h às 21h.

Realizada pela Cia de Eventos, Ideação e Vox Produções, a Bienal conta com incentivo da Lei Rouanet e patrocínios da Petrobras, Banco do Nordeste e Itaú Unibanco. A agenda traz mesas, lançamentos e oficinas que transitam entre tradição e inovação, com presença de nomes como Itamar Vieira Junior, Mia Couto, Aline Bei, Jefferson Tenório, Micheliny Verunschk e Clarice Freire, além de autores pernambucanos como André Gallindo, Cida Pedrosa, Manu Monteiro, Wellington de Melo e Bell Puã.

Entre as autoras que chegam para reforçar o peso da literatura fantástica está a cearense Lara T. Vainstok. Ela participa com estande próprio e estará na programação oficial no dia 11, às 14h, compartilhando sua trajetória como autora independente. Com três obras publicadas (Castelo de Areia, Arcano da Montanha e A Busca de Ella), Lara marca presença com brindes e edições especiais para os leitores.

Lara vem do Ceará para a sua quinta Bienal

“Essa é a quinta Bienal de que participo, mas, por ser uma feira tão especial, parece a primeira vez. Ainda mais no Nordeste, ao lado do meu Ceará, o sentimento é de estar em casa e ao mesmo tempo em uma aventura cheia de surpresas”, diz a escritora. “Costumo dizer que nosso poder é ser exatamente quem somos, e eu, nordestina, falo como tal. Faço parte de um movimento de mostrar que a fantasia brasileira pode ser tão incrível quanto qualquer outra produzida fora do país.”

A proposta desta edição é reforçar a bibliodiversidade, com espaço tanto para grandes editoras quanto para coletivos independentes e escritores estreantes. A cena da literatura fantástica e do terror também ganha destaque, reunindo jovens autores e ampliando o alcance para novos públicos. Além dos debates, o público poderá acompanhar performances artísticas, leituras encenadas, saraus e shows em palcos como o Sesc Além das Letras.

Acessibilidade – Um dos pontos altos da Bienal é o compromisso com a inclusão. O pavilhão do Centro de Convenções foi planejado para acessibilidade plena, com empréstimo gratuito de cadeiras de rodas e recepção bilíngue em Libras. Além disso, haverá visitas guiadas com audiodescrição e o espaço Lugar de Acesso, dedicado a experiências literárias inclusivas, com oficinas, vivências sensoriais e ambiente acolhedor para pessoas neurodivergentes.

O público infantil e juvenil ganha protagonismo com o Educativo Bienal, que expande a antiga Bienalzinha em três frentes: Bienal Criança, Bienal Adolês e espaços Ler+. As propostas vão de contações de histórias e mamulengos a experiências imersivas em cenários de mistério, incentivando a leitura desde a primeira infância até a adolescência. A literatura de cordel também terá destaque no Café Cordel, espaço aberto durante todo o evento com rodas de conversa e lançamentos.

Reconhecida em 2025 como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, a Bienal reforça sua importância na formação de leitores e no fortalecimento da produção literária local e nacional. Os ingressos custam R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia) e R$ 20 (social, mediante doação). A entrada é gratuita para estudantes da rede pública, professores, bibliotecários, escritores, policiais, bombeiros e crianças até 10 anos.

Wilfred Gadêlha

Nascido em Goiana-PE no período pleistoceno, Wilfred Gadêlha é formado em jornalismo pela UFPE. Atuou em vários veículos como repórter e editor, é geminiano, metaleiro e metido a cantor. Já escreveu livros, apresentou programa de rádio e dirige e roteiriza documentários que ninguém viu. Também foi secretário de Comunicação na terra-natal e em São Lourenço da Mata e fez várias campanhas - algumas perdeu e outras ganhou.

® O Fervo. Botando Quente. Todos os direitos reservados.