PS: Esse texto tem que ser escrito sem ser em primeira pessoa.
Pra gerações de goianenses, como a minha, Edjanete Maria Valença da Silveira, que faleceu nesta segunda-feira 15, foi mais que uma professora de português. Foi um farol que orientou centenas de estudantes com sua retórica imponente e um exemplo de retidão, que passou deixando marcas inesquecíveis nas vidas de jovens.
Fui aluno de Dona Edjanete durante três anos, de 1983 a 1985, no Colégio da Sagrada Família. Além de lá, ela, que vinha de uma família com outras três irmãs professoras – eu estudei ainda com Else e Elaine, ambas também importantíssimas na minha formação e de tantos outros meninos e meninas – ensinou em tantas outras escolas públicas da nossa cidade, como o Benigno e o IV Centenário.
Suas aulas de análise sintática, na oitava série, eu não esqueço. Não esqueço também de, por tantas vezes que eu ia ao quadro fazer os exercícios, do alto dos meus 12 anos, que ela dizia:
“Quero alguém para vir ao quadro, mas que não seja Wilfred”
Dona Edjanete ainda foi diretora e secretária de Educação, sempre deixando sua digital como gestora benquista e competente. Foi também vice-prefeita e conseguiu uma proeza: numa cidade tão “polarizada” como a nossa, soube ser respeitada por todo mundo. Muito justo o luto oficial decretado pela Prefeitura de Goiana.
Mas pra mim, Dona Edjanete era mais que uma professora, porque ela era madrinha do meu irmão Márcio. Era amiga da minha mãe Lourdes, com quem estudou no mesmo Sagrada e que atendeu ao convite de ser uma guia para meu irmão. Muitas vezes, no aniversário de Márcio, ela levava o presente para a sala de aula e me pedia para entregar quando chegasse em casa. Eu morria de vergonha, mas Dona Edjanete era da família, né? Assim como as dos meus outros irmãos, ela era como se fosse minha madrinha também.

Eu aprendi muito com ela. A escrever corretamente. A saber as regras até para subvertê-las. A ser uma pessoa íntegra.
Edjanete Maria Valença da Silveira se foi. Mas Dona Edjanete, não, essa continua viva nas lembranças e na influência que exerceu em tantas e tantas pessoas. Na minha, na do meu irmão, na de Goiana. Que descanse em paz.
Meus sentimentos à família, ex-alunos e alunas.
PS 2: nessa foto, estão mamãe, papai e Márcio, meu irmão, nos braços de Dona Edjanete















