Projeto Terra-Mar navega pela Amazônia e leva arte, ciência e cultura oceânica à COP30

Em travessia com a Caravana Iaraçu, iniciativa pernambucana une educação ambiental, pesquisa e poéticas visuais rumo ao maior encontro climático do planeta

O Projeto Terra-Mar deixou o Recife para uma jornada que conecta Pernambuco ao coração da Amazônia. Depois de ocupar a Torre Malakoff com uma mostra que uniu arte, ciência e educação oceânica, a iniciativa embarcou, no dia 11 de novembro, na Caravana Iaraçu – expedição científica e intercultural franco-brasileira que cruza o país desde 28 de outubro e segue até 18 de novembro, abrindo caminhos para o diálogo entre saberes tradicionais, pesquisadores e sociedade civil no contexto da COP30.

A bordo da embarcação, o Terra-Mar é representado pela professora Flavia Lucena Fredou e pelo professor Pedro Melo, pesquisadores do Laboratório Tapioca, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atuantes na popularização da cultura oceânica. Na Amazônia, eles apresentam a exposição Terra-Mar, que convida o público a uma imersão sensível nas conexões entre pesquisa, biodiversidade e criação artística. A mostra nasceu de investigações realizadas no litoral nordestino e propõe uma escuta atenta das paisagens marinhas e de suas urgências socioambientais.

Obras de Eliú Nascimento fazem a conexão arte-cultura oceânica

Travessia – Com obras dos artistas Ayodê França e Eliú Damasceno, a exposição costura linguagens visuais, som e dados científicos. Ayodê assina os painéis e a identidade visual do projeto, transformando o oceano em cor, gesto e movimento. Já Eliú apresenta esculturas de tartarugas, peixes e caranguejos feitas com materiais recicláveis, gesto que expõe a presença humana no mar e convoca o público a refletir sobre seus impactos. Entre criaturas abissais, tubarões e uma carcaça de golfinho, a mostra desenha um território simbólico onde arte e ciência se encontram para provocar pertencimento ecológico.

A rota entre Manaus e Belém dá à Caravana Iaraçu o seu caráter de diplomacia científica viva: pesquisadores, povos ribeirinhos, estudantes e lideranças locais compartilham estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas, documentam ameaças e reorganizam narrativas sobre o território. Inserido nessa travessia, o Terra-Mar acrescenta uma camada poética à expedição, traduzindo dados, memórias e alertas ambientais em experiências sensíveis que reforçam a interdependência entre Amazônia, oceano e vida cotidiana.

A ação é realizada pelo LMI Laboratório Interdisciplinar sobre o Atlântico Tropical (Tapioca), pelo IRD Brasil, pela Rede Clima Pesquisas, pelo Falcão Vento e pelo BioImpact. A Caravana Iaraçu integra a cooperação científica Brasil–França, articulada pelo IRD e instituições parceiras como CNPq, MCTI, Embaixada da França no Brasil, Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica, Hybam, CAPES, UFAM, UFPA e FEF Accion.

Fotos: Brenda Alcântara/Divulgacão

Wilfred Gadêlha

Nascido em Goiana-PE no período pleistoceno, Wilfred Gadêlha é formado em jornalismo pela UFPE. Atuou em vários veículos como repórter e editor, é geminiano, metaleiro e metido a cantor. Já escreveu livros, apresentou programa de rádio e dirige e roteiriza documentários que ninguém viu. Também foi secretário de Comunicação na terra-natal e em São Lourenço da Mata e fez várias campanhas - algumas perdeu e outras ganhou.

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