Por Wilfred Gadêlha
*Não é por Danilo, é pela Transnordestina em Pernambuco*
Nos últimos meses, temos visto um avanço na concretização de um sonho de décadas para o nosso Estado: o trecho pernambucano da Transnordestina. Com a volta do governo Lula e a inclusão da obra no PAC, uma outra questão foi mais do que decisiva: a participação da Sudene nesse processo, tendo na figura de seu superintendente Danilo Cabral um personagem central para a retomada da ferrovia de Salgueiro até o Porto de Suape. A defesa desse empreendimento tão significativo para o futuro de Pernambuco, entretanto, causou ciúmes nos vizinhos cearenses e baianos, nas pessoas do governador Elmano Freitas (PT) e do todo-poderoso ministro da Casa Civil Rui Costa (PT). Eles querem a cabeça de Danilo.
É hora de Pernambuco defender Danilo Cabral por uma razão muito simples. O que o superintendente da Sudene tem proposto não é escantear o Ceará, como alega o petista que governa o nosso Estado vizinho. O trecho da ferrovia que vai até o Porto de Pecém está muito mais avançado do que o nosso, que foi paralisado em 2016 e até mesmo chegou a ser cortado do traçado original por Jair Bolsonaro. O governador cearense cometeu até mesmo a indelicadeza de ir ao microfone em uma cerimônia com a presença de Lula e reclamar de supostos atrasos na liberação de recursos por parte da Sudene para a conclusão das obras em seu Estado, quando é a autarquia quem desembolsa, por meio dos seus fundos a maior parte dos recursos para esses trabalhos.
O que incomoda Elmano e também Rui Costa é que Danilo, mesmo sendo superintendente da Sudene e não fazendo distinção entre os 11 Estados da área de atuação da autarquia, não esquece que é pernambucano. E tem discutido com o povo do seu Estado o que a Transnordestina vai trazer de bom para Pernambuco. Danilo tem ido e ainda vai a todas as regiões entender o que cada polo econômico precisa da ferrovia, da agricultura de Petrolina ao gesso de Araripina, da bacia leiteira de Garanhuns às baterias de Belo Jardim. Sem falar no transporte de passageiros do Recife a Caruaru.

Além do mais, há muitas outras variáveis. Lula é pernambucano. Danilo foi o candidato de Lula em 2022. Danilo é do PSB, partido de Geraldo Alckmin, o vice que se fortaleceu muito nas negociações do tarifaço de Trump. E Pernambuco tem sete ministros na Esplanada. E a gente não é de baixar a cabeça pra Ceará e Bahia, né? (se bem que no futebol nos últimos anos…)
E é por isso que as lideranças políticas e empresariais do nosso Estado têm o dever de entender a gravidade desse momento. Se perdermos Danilo Cabral agora, adeus, Transnordestina! É o momento de ministros, governadora, prefeitos, deputados e senadores, de todos os espectros políticos, esquecerem suas diferenças em nome de uma lógica. Não é por Danilo: é pela Transnordestina.
Wilfred Gadêlha é jornalista e editor do blog O Fervo















