– Alô? Álvaro?
– Oi, Priscila, diz logo que eu tô resolvendo umas coisas aqui…
– Não é Priscila, não, Álvaro.
– Oxente, mas esse número é de Priscila. Quem é que tá falando?
– Não tá reconhecendo a voz?
– Reconhecendo eu até tô, mas…
– Sim, sou eu mesma, Álvaro.
– … eu achei que era golpe.
– Sou eu mesma, Álvaro. A governadora. A governadora de Pernambuco. Raquel Lyra. Raquel.
– Eu sei, governadora. Eu reconheci a sua voz. Só não entendi porque a senhora ligou do telefone de Priscila.
– Porque se eu ligasse do meu você não iria atender.
– Claro que eu atenderia, governadora…
– Quem é que está rindo aí perto de você? É Feitosa? Tá no viva voz, é? Desligue isso, eu lhe peço.
– Não tem ninguém aqui, não, governadora. Mas, me diga, qual é o motivo da sua ligação.
– Tá na hora de parar com essa confusão, Álvaro. O povo de Pernambuco não pode ser penalizado.
– Que confusão, governadora?
– Não se faça de desentendido, Álvaro.
– Vamo fazer assim, governadora: a senhora quer ganhar a eleição ano que vem, né?
– Onde você quer chegar, Álvaro?
– Responda, governadora…
– Veja, eu quero mudar a vida dos pernambucanos, como mudei a vida de Dona Biu, do Alto Zé do Pinho.
– Que Dona Biu o quê, Raquel!
– Claro que eu quero me reeleger. Mas o que é que tem a ver a sua pergunta?
– Então me ajude a lhe ajudar. Facilite as coisas. Mande o seu povo pro plenário que a gente se entende. Agora, quem é que tá cochichando coisa aí pra senhora? É Priscila? Tá no viva voz, é?
– Mas o seu também tá no viva voz…
– Assim fica difícil. Desligue o seu que eu desligo o meu.
– Desligue o seu, que eu pedi primeiro.
– Assim não dá pra ter diálogo com a senhora.
– Você que é muito truculento!
– Passar bem, governadora!
– Passar bem, deputado!
– tu..tu..tu..
– tu..tu..tu..















