A confusão entre o governo e a oposição já encheu o saco. Ou, como diria a personagem Tancinha, iconizada por Claudia Raia na novela Sassaricando nos anos 80, encheu os pacovan. Deixou de ser uma refrega política e passou a ser algo que prejudica o Estado.
A estratégia de endurecimento por parte da oposição encabeçada pelo presidente da Alepe, Álvaro Porto, deu certo no início, engessando as ações de Raquel Lyra, em especial as de “menor impacto” do ponto de vista administrativo. Uma nomeação de administrador de Fernando de Noronha aqui, uma sabatina pesada de um enrolado secretário de Educação ali. Tudo em céu de brigadeiro. As pesquisas mostrando isso.
E o jeito Raquel Lyra de “fazer política” também não ajuda. O bicho pegando e a governadora ou de férias ou penteando os cabelos em Nova Iorque. Mas aí começaram a chegar à Alepe coisas mais importantes. O tal empréstimo de 1,5 bilhão de reais. Dinheiro que só, que a oposição, que não é besta, não tá a fim de liberar agora pra obras que vão ficar prontas às vésperas da eleição.
Os escudeiros de Porto – Wal, Feitosa e Antônio Coelho – arrocharam o nó, o Palácio fez uma manobra suicida de esvaziar o plenário para a votação de projetos do seu interesse (incluindo a nomeação do presidente da Adagro, com a gripe aviária aí e tudo) e agora, como dizem os matutos, os excrementos estão virando boné: os professores da rede estadual estão sem reajuste porque não tem votação na Assembleia.
Ou seja: agora os dois lados estão na fase de jogar a culpa um no outro. As vozes mais lúcidas – e até as não tão lúcidas assim, pois até deputado do PL já falou em trégua – estão tentando baixar a temperatura do fogo. O problema é que tem gente jogando gasolina nesse incêndio. Resta saber quem é que sai ganhando com isso: o governo ou a oposição, porque quem sai perdendo a gente já sabe: Pernambuco.















