Ex-presidente atacou apoiador negro em 2021, em lives e no cercadinho do Alvorada, comparando cabelo a “criatório de baratas”
Com informações da Agência Brasil
A Terceira Turma do TRF4 condenou Jair Bolsonaro e a União a pagarem, cada um, R$ 1 milhão por danos morais coletivos. A decisão, unânime, reconheceu que o ex-presidente praticou racismo em falas públicas feitas em 2021, quando ainda ocupava o Palácio do Planalto.
Os desembargadores entenderam que Bolsonaro se valeu do chamado “racismo recreativo” — aquele disfarçado de piada — para atacar pessoas negras. Segundo o relator Rogério Fraveto, trata-se de prática que tem origem na escravidão e que perpetua a desumanização de pessoas negras até hoje.

As falas condenadas foram feitas tanto no cercadinho do Alvorada, onde Bolsonaro alimentava sua base mais fiel, quanto em suas lives semanais. Em uma delas, comparou o cabelo de um apoiador negro a um “criatório de baratas”. Em outra, disse que o homem não poderia tomar ivermectina porque “mataria todos os seus piolhos”.
O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União moveram a ação civil pública e pediram indenização de R$ 5 milhões. A turma, no entanto, considerou o valor alto e fixou em R$ 1 milhão para cada réu. O dinheiro, em tese, será destinado a ações de combate ao racismo.
Condenação – A defesa de Bolsonaro, feita pela advogada Karina Kufa, tentou minimizar os ataques, dizendo que as falas eram apenas “jocosas” e dirigidas de forma particular ao apoiador, que não teria se sentido ofendido. Os desembargadores, no entanto, consideraram que, vindo do presidente da República, as palavras carregavam peso institucional e ofendiam a população negra como um todo.
A União, agora condenada junto com Bolsonaro, pode até tentar cobrar o valor dele depois, mas o estrago político já está feito: um ex-presidente da República condenado por racismo, ainda que na esfera civil. Defesa e acusação ainda podem recorrer.















