Além disso, Pernambuco é o quinto Estado com mais mortes de crianças e adolescentes, segundo o Anuário da Segurança Pública
Os números do Anuário Brasileiro da Segurança Pública 2025, divulgados nesta quinta-feira 23, não foram nada bons para Pernambuco. Com dados oficiais colhidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2024, o documento aponta que dois municípios da Região Metropolitana do Recife estão entre os dez mais violentos do Brasil: Cabo de Santo Agostinho, em quinto, e São Lourenço da Mata, em sexto. Para piorar, o Estado também amarga a quinta colocação entre as 27 unidades da Federação em outro triste ranking, o dos que matam mais crianças e adolescentes.
Entre os 10 municípios com maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI), todos são do Nordeste: cinco baianos, três cearenses mais Cabo e São Lourenço. Segundo a publicação, as cidades que integram esse ranking macabro “apresentam elevados níveis de violência letal associados a disputas entre facções do crime organizado pelo controle do tráfico de drogas. Esses conflitos têm resultado em confrontos sangrentos, com predominância de vítimas jovens, do sexo masculino, via de regra negros e moradores de áreas periféricas”.
No ano passado, foram 159 homicídios no Cabo, o que resultou em uma taxa de 73,3 MVI por 100 mil habitantes. A cidade tem cerca de 203 mil habitantes, segundo o IBGE. Já São Lourenço da Mata registrou 86 mortes, o equivalente a 73 MVI por 100 mil habitante (a população do município é de 111 mil pessoas).
Quem lidera a lista é Maranguape, no Ceará, seguida de três baianas (Jequié, Juazeiro e Camaçari), até chegar ao Cabo e São Lourenço. Completam o ranking Simões Filho (BA), Caucaia (CE), Maracanaú (CE) e Feira de Santana (BA).

No relatório, os parágrafos dedicados às cidades pernambucanas são sucintos mas reveladores:
“Em quinto lugar no ranking está a cidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, que assistiu o número de vítimas de MVI crescer 16,1% e chegar a 159 mortos em 2024. Com taxa de 73,3 mortes por 100 mil habitantes, a cidade do Grande Recife sofre com a atuação de facções atuantes no narcotráfico e é disputada há anos pela Comando Litoral 5 (antigamente chamada de Trem Bala).
Em sexto lugar, também na Grande Recife, está o município de São Lourenço da Mata, que viu o número de mortes violentas intencionais crescer 24,6% no último ano, chegando a 86 vítimas. A cidade tem figurado em reportagens de imprensa como local de disputas pelo controle do tráfico de drogas”.
Carnificina– Com relação ao assassinato de crianças e adolescentes, Pernambuco está em quinto lugar no ranking nacional, que é liderado pelo Amapá, seguido de Bahia, Ceará e Alagoas. A taxa de MVI na faixa etária de 0 a 17 anos no Estado é de 8,2 por 100 mil habitantes. É o dobro da média nacional, que é de 4,6 por 100 mil.
Em números absolutos, é uma carnificina: 198 crianças e adolescentes nessa faixa etária foram assassinadas em Pernambuco. Se considerarmos o recorte de 12 a 17 anos, são 72%: 143 adolescentes foram vítimas de homicídio. Nesse caso, a taxa de MVI é quase o triplo da nacional, chegando a 12,5 por 100 mil habitantes.
Recentemente, o governo do Estado firmou parceria com a ONU, por meio do programa Construindo Planos de Prevenção, que terá como ponto de partida 10 municípios pernambucanos. Nem Cabo, nem São Lourenço, que são administrados por prefeitos de oposição à governadora Raquel Lyra, foram incluídos.
CABO – O prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (SD), reagiu aos números com críticas à governadora Raquel Lyra (PSD). Há um mês, Cabral chegou a pedir à governadora que solicitasse o envio da Força Nacional para a sua cidade, mas recebeu um não como resposta. “Estamos denunciando essa situação há meses. Esses números só confirmam a gravidade”, destaca o prefeito, salientando que está fazendo a sua parte.
Veja a nota na íntegra:
“Os dados do Anuário da Segurança Pública, que apontam o Cabo na 5ª posição nacional em Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2024, só confirmam a gravidade da situação que estamos denunciando há meses. No ano passado, foram registradas 159 mortes violentas no Cabo, representando uma alta de 16,1% em relação a 2023.
Em seis meses, já são 85 casos, mais da metade das mortes ocorridas no ano de 2024. No entanto, o nosso pedido de ajuda ao Governo Estadual foi negado, alegando que os dados oficiais apontam redução da criminalidade.
Enquanto município, estamos fazendo a nossa parte para mudar esse cenário. Vamos instalar, em agosto, o Conselho Municipal de Segurança Pública e Defesa Social. Estamos investindo em ações para ampliar a presença da Guarda Municipal nas comunidades, a exemplo da criação da base da ROMU, no bairro da Cohab; na qualificação profissional dos 290 guardas municipais; e na recuperação da frota de veículos da SDS. Fizemos parceria com o Ministério da Justiça para desenvolver, no Cabo, programas que visam atuar na prevenção da violência e criminalidade entre jovens de 15 a 24 anos.
Mas, para que o Cabo saia do mapa da violência, também é preciso ampliar o efetivo policial do 18º Batalhão, que hoje é insuficiente para combater a criminalidade em nossa cidade. Estamos falando de vida e não de números frios”.
São Lourenço da Mata – A cidade foi, recentemente, alvo de uma polêmica, quando rumores deram conta de que o 20º Batalhão da Polícia Militar, sediado lá, seria transferido para a vizinha Camaragibe. O prefeito Vinícius Labanca (PSB) saiu em defesa do batalhão, junto com vários outros oposicionistas, incluindo o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB). A solução encontrada pelo governo foi a criação de novos cinco batalhões, incluindo um para Camaragibe. E o 20º vai ficar em São Lourenço mesmo.
O Fervo entrou em contato com o governo do Estado e a Prefeitura de São Lourenço da Mata mas não recebeu resposta. O espaço e o tempo estão abertos para as considerações de ambos.















