Após encontro de domingo, líderes confirmam início de negociações para suspender as tarifas sobre exportações brasileiras; conversa teve elogios mútuos e sinaliza retomada do diálogo entre Brasília e Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deram neste final de semana um passo decisivo para encerrar o impasse comercial que se arrasta desde julho, quando Washington anunciou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Após uma reunião de 50 minutos em Kuala Lumpur, durante a 47ª Cúpula da Asean, os dois líderes selaram a retomada das negociações bilaterais.
Segundo Lula, o clima da conversa foi positivo. “Tive uma boa impressão de que logo, logo não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil”, afirmou. O presidente se disse otimista com a suspensão das tarifas, apostando que o acordo será fechado “em poucos dias”.

Lula contou ter reforçado a Trump que os Estados Unidos registram superávit comercial com o Brasil, o que desmonta a justificativa do governo norte-americano para impor sanções. “Não estou reivindicando nada que não seja justo. Os Estados Unidos não têm déficit com o Brasil, que foi a explicação da famosa taxação”, disse.
O chanceler Mauro Vieira confirmou que Trump autorizou sua equipe a iniciar as negociações ainda neste domingo à noite, no horário da Malásia. “O saldo final é ótimo. O presidente Trump deu instruções para que comece um processo de revisão das tarifas, para tudo ser resolvido rapidamente”, afirmou.

Elogios – Segundo o Itamaraty, o diálogo entre Lula e Trump foi cordial e direto. O republicano teria elogiado a trajetória política de Lula, destacando “a capacidade de superação” do líder brasileiro. “Trump declarou admirar o perfil do presidente Lula, que foi perseguido, provou sua inocência e voltou a ser eleito”, disse Vieira.
Lula retribuiu o gesto com humor: “Não sou santo para receber promessa. O que ele tem que fazer é compromisso – e o compromisso que ele fez é que pretende firmar um acordo de muita boa qualidade com o Brasil.”
O chanceler confirmou ainda que Trump pretende visitar o Brasil em breve, e que Lula aceitou um convite para ir aos Estados Unidos, em sinal de reaproximação entre os dois países.
Venezuela – Além da pauta comercial, Lula disse ter se colocado à disposição para ajudar nas negociações sobre a crise venezuelana, defendendo que “a única guerra aceitável é contra a pobreza e a fome”. O presidente também afirmou ter convidado Trump para participar da COP30, que será realizada em novembro de 2026, em Belém. “Disse a ele: ‘Se você não acredita nas coisas, vá lá para dizer o que pensa. Não dá para fingir que não há uma crise climática’.”
Fotos: Ricardo Stuckert/PR















