Esses santos querem missa – e votos
Foi um final de semana animado no interior de Pernambuco. Entre andanças, cavalgadas e falas carregadas de emoção milimetricamente calculadas, tivemos os dois principais atores políticos das eleições do ano que vem disputando espaços nos eventos e redes sociais. Se por um lado a governadora Raquel Lyra (PSD) teve seus acessos às festividades facilitados pelo cargo que naturalmente ocupa, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), arrumou um jeito de visitar aliados, receber título de cidadão e marcou presença no Agreste e no Sertão, e o que vimos foi como uma prévia de 2026.
Como o clima era mais de festa do que qualquer outra coisa, não houve muito espaço para ataques e contra-ataques. Quando houve, foram sutis e velados. Mas houve.
O ápice da competição por atenção foi a Missa do Vaqueiro, em Serrita. O grande espetáculo de fé e tradição é sim um lugar onde os políticos sempre vão em busca de olhos para vê-los e ouvidos para ouvi-los, se tiverem a chance. Nisso, Raquel saiu em vantagem, pois, como governadora, teve lugar de destaque na celebração e tal. Só foi irônico vê-la dizer que ali não era “palanque político” e que celebrar a história e a cultura “não se faz pelo Instagram”. Ou seja, usou o altar como palanque, né?


João também fez política. Sabedor de que Raquel teria espaço privilegiado, tratou de andar pra lá e pra cá com uma bandeira do Brasil em vez da de Pernambuco, como forma de reforçar seu apoio ao presidente Lula nesse momento de crise com os Estados Unidos.
Esse rolê serviu pra mostrar mais ou menos como pode ser o que vai vir por aí. Com a governadora tendo a chave do cofre, a liturgia do cargo e os tais 140 prefeitos que a apoiam, João vai precisar fazer do limão limonada para circular com desenvoltura. Porque não é sempre que tem Missa do Vaqueiro ou Expo Serra. Aí vai valer a criatividade. Ou apostar nos que vão começar a pular do barco. A conferir.
PS: é cada imagem arretada que a turma faz, visse? Pelo menos isso.
Fotos de Raquel: Janaína Pepeu/Secom
Fotos de João: Divulgação
Se virando

Enquanto o governo do Estado vira a cara, o prefeito do Cabo, Lula Cabral (SD), se vira como pode para tentar diminuir os índices de violência na cidade. A prefeitura iniciou a instalação da base da Ronda Ostensiva Municipal (Romu), da Guarda Civil, na sede do antigo 18º BPM, na Cohab. A reforma do prédio começou nesta segunda mesmo e a ideia é que essa iniciativa integre uma série de medidas do poder público local para oferecer mais segurança à população. O Cabo de Santo Agostinho lidera as estatísticas de homicídios entre as cidades com mais de 100 mil habitantes do Estado, incluindo as de jovens.
Foto: Gleibson Silva
Do latim “strategi”
Interessante a estratégia de Raquel Lyra de bater na tecla de que tem entregue obras que ficaram inacabadas da gestão Paulo Câmara. Numa listinha publicada nas suas redes sociais, ela elenca o TI Igarassu, o Cinema São Luiz, a Pan Nordestina, o Hospital da Mulher do Agreste e o Parque Janelas Para o Rio – as duas últimas em Caruaru. Claaaaro que, por trás dessas obras, tem muita história pra ser contada, mas, de qualquer forma, se o mote pega é uma boa cutucada no PSB. (O problema é que pode ser um tiro no pé…)
Silvio Lula da Silva
O ministério de Silvio Costa Filho é o de Portos e Aeroportos, mas o deputado federal licenciado não tem perdido uma chance de aproveitar os investimentos do governo Lula n o Estado. Seu discurso engloba tudo. Ele fala das BRs 423, 323 e 104, do Arco Metropolitano e da Transnordestina. E não é só falar. Tem uma cerimônia de qualquer coisa, ele tá lá, como foi caso do mutirão da saúde com Alexandre Padilha. O bicho tá danado.
É método
Li um belo artigo de Celso Rocha de Barros sobre a estratégia de Bolsonaro ao apelar para Trump salvá-lo. Somente um néscio acreditaria que os Estados Unidos fariam o que estão fazendo por “amor” ou por “ideologia”. Tudo é dinheiro – como ficou claro no movimento salafrário de alguém que ganhou bilhões de dólares comprando e vendendo a moeda americana sabendo que o tarifaço tava pra sair no mesmo dia. Não é loucura, é método.















