O caruaruense Wolney Queiroz (PDT) pegou uma bomba chiando nas mãos. E sabia muito bem disso quando o presidente Lula o convidou para assumir o Ministério da Previdência Social, em 2 de maio, em meio à crise do chamado Escândalo do INSS. Aos 52 anos, substituiu Carlos Lupi no olho do furacão e trocou as manchetes negativas por uma agenda positiva, muito pela capacidade de reação que o governo lhe ofereceu como também pela disposição com que enfrentou os problemas e o capital de negociação que acumulou ao longo de seis mandatos como deputado federal. Nesta segunda ele reuniu a imprensa da sua cidade e não escondeu o desejo de voltar à Câmara, embora condicione essa vontade a uma conversa com Lula.
Em entrevista a O Fervo, ele falou sobre outros assuntos, como o tarifaço de Donald Trump e evitou críticas diretas ao governo da adversária Raquel Lyra, embora tenha deixado escapar uma leve indireta: “Pernambuco é um Estado insurgente, revolucionário e tem que liderar essas manifestações. Eu creio que precisam ser mais duras as manifestações”.

O Fervo – Como é que você avalia essa escalada no final das contas?
Wolney Queiroz– O Brasil está sob ataque. Nunca na história sofremos um ataque de uma potência estrangeira para se preocupar com pix, com 25 de Março ou com a prisão ou a condenação de uma pessoa na Justiça. Condicionar isso a uma taxação internacional é uma coisa muito injusta, porque o Brasil tem relações de longas datas com os Estados Unidos e tudo isso ser colocado em xeque porque o presidente Trump quer que Bolsonaro não seja preso ou não seja processado.
É uma coisa muito mesquinha. E o governo está defendendo a soberania nacional. Enão ninguém em sã consciência pode ficar do lado dos americanos. A gente precisa defender a bandeira, as cores, a soberania do Brasil diante do ataque de uma potência estrangeira.
O Fervo – Mas essa questão de Bolsonaro me perece mais um álibi porque o pix, por exemplo, é muito mais amplo, já que envolve as taxas das bandeiras dos cartões de crédito dos EUA…
Wolney Queiroz – Sim, cada coisa dessa tem algo por trás. Na verdade, o que está por trás dessa coisa de Trump é a coisa dos Brics, que é um bloco econômico muito forte que incomoda os Estados Unidos… Isso tem atrás a força do pix por fora dos cartões de crédito.. Mas apequenar isso merece repúdio, não só do governo, como dos brasileiros, que precisamos estar indignados com isso. Não podemos aceitar que o Brasil seja chantegeado como país. “Se tirar o processo contra Bolsonaro, tira a taxa”… Isso é coisa que se peça a outro país? Nenhum país do mundo aceitaria isso. O Brasil tem que se unir em torno de si próprio, não em torno de Lula, mas em torno de sua altivez enquanto nação.
O Fervo – E a gente vai poder usar verde e amarelo de novo… Você acha que a reação, por exemplo, das lideranças pernambucanas está sendo adequada?
Wolney Queiroz – Eu não tenho acompanhado muito de perto, porque eu estou muito ocupado lá em Brasília com as questões do INSS, da Previdência. Mas eu creio que a reação dos políticos do nosso campo, por exemplo, eu vi uma manifestação da ministra (da Ciência e Tecnologia) Luciana (Santos) lá na SBPC, do ministro (da Educação) Camilo (Santana), os agentes de Pernambuco que eu tenho visto, Renildo Calheiros (deputado federal do PCdoB), por exemplo. Tenho visto manifestações dele, tem sido muito contundentes.
Mas eu acho que nós, enquanto lideranças políticas, temos que nos manifestar e mostrar indignação. Pernambuco é um estado insurgente, é um estado indolente, é um estado revolucionário, e tem que liderar essas manifestações, eu creio que precisam ser mais duras as manifestações dos pernambucanos.
O Fervo– Até porque também do ponto de vista técnico, econômico, a gente vai ter bastante prejuízo, caso isso seja realmente implementado?
Wolney Queiroz – Sim, os prejuízos são enormes para o Brasil como um todo, e nós não podemos tolerar que isso aconteça por questões tão pequenas. Falar do Pix, falar da 25 de Março, falar de um processo judicial contra um aliado é uma coisa impensável.

O Fervo – Para fechar, tem o futuro político. Você falou aqui rapidamente sobre essa questão da possibilidade, do desejo de vir a ser candidato a deputado federal mais uma vez.
Wolney Queiroz– Bem, eu não estou com cabeça agora para pensar em eleição, mas eu desejo ser candidato a deputado federal no ano que vem. Mas preciso saber se esse é o desejo da cidade de Caruaru e do Estado de Pernambuco. Acho que representei bem o Estado durante os mandatos que eu tive, e acho que pode ser uma boa possibilidade em 2026.
O Fervo – Se o presidente Lula disser: “Wolney, eu quero que você continue ministro da Previdência em 2026 em diante”.
Wolney Queiroz – Pois é, é um análise que eu vou ter que fazer com ele, o que é mais importante para o governo, o que é mais importante para o nosso campo aqui em Pernambuco. Também pode ser importante para o governo ter uma disputa, mais nomes aqui, porque é muito importante ter deputados senadores do Congresso, alinhados com o presidente. Então é uma discussão que a gente vai fazer mais na frente.















